Na
sequência do post já publicado acerca de Repositórios de Recursos Educativos Abertos,
cumpre agora refletir sobre a forma como selecionamos REA e os adaptamos às nossas
práticas. Da minha experiência profissional, considero que o recurso a REA é
ainda incipiente nas escolas portuguesas principalmente por desconhecimento
acerca de onde os encontrar (fontes de REA fidedignas e de qualidade), acerca
das licenças e direitos autorais, acerca da forma como se podem adaptar,
partilhar e redistribuir estes materiais. É fundamental dotar os docentes de
conhecimentos teóricos e práticos que lhes permitam compreender os benefícios e
potencialidades dos REA e, a partir daí, partir para a seleção, adaptação e conceção
de estratégias pedagógicas e didáticas significativas e enriquecidas por estes
recursos.
Em primeiro lugar, importa esclarecer sobre o
que são os Recursos Educativos Abertos e compreender as suas potencialidades do
ponto de vista do professor. De acordo com Wiley (2014), um REA carateriza-se
através de 5Rs: Retain – possibilidade de guardar uma cópia pessoal dos
REA; Reuse – possibilidade de reutilizar o REA em diferentes contextos; Revise
- possibilidade de adaptar o REA, modificando o seu conteúdo ou forma; Remix
– possibilidade de combinar o REA original ou adaptado com outro, criando um
novo recurso; Redistribute – possibilidade de partilhar o REA original
ou modificado, bem como nonos recursos em que este seja incorporado. Cada uma das
cinco propriedades referidas poderá estar mais ou menos presente em cada
recurso, consoante o tipo de licenciamento que foi feito.
Na
escolha que fiz para esta atividade procurei recursos cujas caraterísticas e licenciamento
vão ao encontro dos 5Rs de modo a: poder guardar para mim uma cópia do recurso
original, modificá-lo de modo a adequar aos recursos físicos e às
caraterísticas dos alunos das turmas, reutilizá-lo em anos subsequentes com
outras turmas, integrá-los com outros recursos que já tenho e partilhá-lo com
os meus colegas de grupo disciplinar ou partilhá-lo novamente no mesmo repositório
com as alterações introduzidas e um reflexão acerca da sua implementação. Para além
das caraterísticas referidas, os recursos que apresento de seguida foram
escolhidos tendo em conta outros critérios: adequação à faixa etária dos
alunos, rigor científico, adequação ao currículo, adequação a alunos com
necessidades educativas especiais (que estando integrados nas turmas, tenham a
oportunidade de realizar as mesmas experiências de aprendizagem e participar em
condições de equidade), não requererem a utilização de ferramentas e/ou
plataformas adicionais para além das adotadas institucionalmente (evitando
múltiplos registos dos alunos em plataformas externas e possíveis problemas de
segurança digital que daí possam advir).
Primeiro recurso: 00Pi – O Agente Irracional
Endereço
web: Casa dasCiências - 00Pi - O Agente Irracional (casadasciencias.org)
O
recurso permite diversas abordagens em sala de aula, desde a leitura do texto (história)
com os desafios, à sua visualização através da animação (o que a torna
acessível a alunos com dificuldades educativos especiais). Inclui também recursos
em Geogebra (software de Geometria Dinâmica de acesso livre), bem como
sugestões de exploração em sala de aula para o professor adaptar à sua
realidade, ou seja, o próprio recurso não só possibilita a adaptação e
reutilização, também a incentiva.
Ao
longo da história são apresentados diversos desafios, que permitem explorar vários
temas matemáticos de 7.º e 8.º ano (7.º ano - Termo
geral de uma sequência numérica e de uma sucessão; 8.º ano - Números e
Operações: Números irracionais e dízimas infinitas não periódicas. Isometrias. Translação.
Reflexão deslizante. Translação. Vetores.)
Uma
vez que os desafios envolvem o uso de materiais manipuláveis e a utilização de
recursos digitais, em atividades de extensão variada, optaria por não exibir o
vídeo todo de uma vez. Provavelmente seria mais interessante explorar o recurso
escrito, solicitando a leitura aos alunos (promovendo a leitura e a expressão oral).
Os trabalhos seriam realizados em grupos e o vídeo segmentado de forma a acompanhar
as aulas de discussão das estratégias utilizadas por cada grupo e apresentação
dos produtos finais.
Segundo recurso: Simple
Rocket Science and Statistics
Endereço web: Simple Rocket Science and Statistics
| OER Commons
O recurso que escolhi não é
acompanhado de uma sugestão de tarefa estruturada, permitindo diversas abordagens.
Apresenta um vídeo muito breve que mostra um zepelin a ser impulsionado pelo ar
ao longo de um fio de pesca. Articulando com os seus conhecimentos de
Físico-Química, os alunos poderão conjeturar que quanto maior o propulsor,
maior a ação e, portanto, maior a reação. De seguida, poderão reproduzir a
experiência (com os materiais disponíveis em laboratório), experimentar
diferentes quantidades de ar e medir a distância que o foguete percorre. Ao fim
de um número adequado de experiências, poderão proceder à organização e
tratamento dos dados estatísticos, utilizar ferramentas digitais para a criação
de gráficos e outras formas de apresentar as suas conclusões acerca desta
experiência, e comunicar os resultados.
Este seria um recurso que eu
gostaria de voltar a partilhar no repositório, incluindo a proposta de trabalho
elaborada e as estratégias didáticas e pedagógicas que ele proporcionou desenvolver.
Referências:
Wiley, D. A. (2014). The
Access Compromise And The 5th R. (http://opencontent.org/blog/archives/3221)
Sem comentários:
Enviar um comentário