sábado, 21 de janeiro de 2023

Seleção e utilização de Recursos Educativos Abertos

 

Na sequência do post já publicado acerca de Repositórios de Recursos Educativos Abertos, cumpre agora refletir sobre a forma como selecionamos REA e os adaptamos às nossas práticas. Da minha experiência profissional, considero que o recurso a REA é ainda incipiente nas escolas portuguesas principalmente por desconhecimento acerca de onde os encontrar (fontes de REA fidedignas e de qualidade), acerca das licenças e direitos autorais, acerca da forma como se podem adaptar, partilhar e redistribuir estes materiais. É fundamental dotar os docentes de conhecimentos teóricos e práticos que lhes permitam compreender os benefícios e potencialidades dos REA e, a partir daí, partir para a seleção, adaptação e conceção de estratégias pedagógicas e didáticas significativas e enriquecidas por estes recursos.

Em primeiro lugar, importa esclarecer sobre o que são os Recursos Educativos Abertos e compreender as suas potencialidades do ponto de vista do professor. De acordo com Wiley (2014), um REA carateriza-se através de 5Rs: Retain – possibilidade de guardar uma cópia pessoal dos REA; Reuse – possibilidade de reutilizar o REA em diferentes contextos; Revise - possibilidade de adaptar o REA, modificando o seu conteúdo ou forma; Remix – possibilidade de combinar o REA original ou adaptado com outro, criando um novo recurso; Redistribute – possibilidade de partilhar o REA original ou modificado, bem como nonos recursos em que este seja incorporado. Cada uma das cinco propriedades referidas poderá estar mais ou menos presente em cada recurso, consoante o tipo de licenciamento que foi feito.

Na escolha que fiz para esta atividade procurei recursos cujas caraterísticas e licenciamento vão ao encontro dos 5Rs de modo a: poder guardar para mim uma cópia do recurso original, modificá-lo de modo a adequar aos recursos físicos e às caraterísticas dos alunos das turmas, reutilizá-lo em anos subsequentes com outras turmas, integrá-los com outros recursos que já tenho e partilhá-lo com os meus colegas de grupo disciplinar ou partilhá-lo novamente no mesmo repositório com as alterações introduzidas e um reflexão acerca da sua implementação. Para além das caraterísticas referidas, os recursos que apresento de seguida foram escolhidos tendo em conta outros critérios: adequação à faixa etária dos alunos, rigor científico, adequação ao currículo, adequação a alunos com necessidades educativas especiais (que estando integrados nas turmas, tenham a oportunidade de realizar as mesmas experiências de aprendizagem e participar em condições de equidade), não requererem a utilização de ferramentas e/ou plataformas adicionais para além das adotadas institucionalmente (evitando múltiplos registos dos alunos em plataformas externas e possíveis problemas de segurança digital que daí possam advir).

Primeiro recurso: 00Pi – O Agente Irracional

Endereço web: Casa dasCiências - 00Pi - O Agente Irracional (casadasciencias.org)

O recurso permite diversas abordagens em sala de aula, desde a leitura do texto (história) com os desafios, à sua visualização através da animação (o que a torna acessível a alunos com dificuldades educativos especiais). Inclui também recursos em Geogebra (software de Geometria Dinâmica de acesso livre), bem como sugestões de exploração em sala de aula para o professor adaptar à sua realidade, ou seja, o próprio recurso não só possibilita a adaptação e reutilização, também a incentiva.

Ao longo da história são apresentados diversos desafios, que permitem explorar vários temas matemáticos de 7.º e 8.º ano (7.º ano - Termo geral de uma sequência numérica e de uma sucessão; 8.º ano - Números e Operações: Números irracionais e dízimas infinitas não periódicas. Isometrias. Translação. Reflexão deslizante. Translação. Vetores.)

Uma vez que os desafios envolvem o uso de materiais manipuláveis e a utilização de recursos digitais, em atividades de extensão variada, optaria por não exibir o vídeo todo de uma vez. Provavelmente seria mais interessante explorar o recurso escrito, solicitando a leitura aos alunos (promovendo a leitura e a expressão oral). Os trabalhos seriam realizados em grupos e o vídeo segmentado de forma a acompanhar as aulas de discussão das estratégias utilizadas por cada grupo e apresentação dos produtos finais.

 

 

Segundo recurso: Simple Rocket Science and Statistics

Endereço web: Simple Rocket Science and Statistics | OER Commons

O recurso que escolhi não é acompanhado de uma sugestão de tarefa estruturada, permitindo diversas abordagens. Apresenta um vídeo muito breve que mostra um zepelin a ser impulsionado pelo ar ao longo de um fio de pesca. Articulando com os seus conhecimentos de Físico-Química, os alunos poderão conjeturar que quanto maior o propulsor, maior a ação e, portanto, maior a reação. De seguida, poderão reproduzir a experiência (com os materiais disponíveis em laboratório), experimentar diferentes quantidades de ar e medir a distância que o foguete percorre. Ao fim de um número adequado de experiências, poderão proceder à organização e tratamento dos dados estatísticos, utilizar ferramentas digitais para a criação de gráficos e outras formas de apresentar as suas conclusões acerca desta experiência, e comunicar os resultados.

Este seria um recurso que eu gostaria de voltar a partilhar no repositório, incluindo a proposta de trabalho elaborada e as estratégias didáticas e pedagógicas que ele proporcionou desenvolver.

 

Referências:

Wiley, D. A. (2014). The Access Compromise And The 5th R. (http://opencontent.org/blog/archives/3221)

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