Na unidade curricular Processos
Pedagógicos em eLearning começamos por refletir sobre o papel dos Personal
Learning Environments (PLE) na aprendizagem em rede, segundo a perspetiva do
estudante.
Foram sugeridos alguns recursos,
dos quais apresento de seguida uma brevíssima resenha.
Adell, Jordi (2010). Jordi’s Personal
Learning Environment [Vídeo no Youtube]. Entrevista.
Disponível em PLE by Jordi Adell
Nesta entrevista
Jordi Adell descreve o que é um Personal Learning Environment, a partir dos
seus pressupostos teóricos e descrevendo as suas componentes, salientando a perspetiva
da sua utilização sob a ótica do estudante e da sua relevância para a
aprendizagem. Os PLE não são nem aplicações nem software, são um conjunto de
ferramentas, fontes de informação e pessoas, conectadas em rede, que constituem
a referência para o estudante; e permitem que este estabeleça os seus próprios
objetivos e ritmos de aprendizagem, construindo o seu conhecimento também com
base na partilha com a sua rede de contactos.
Downes, Stephen (16-10-2005). e-Learning 2.0. eLearn
Magazine.
http://www.readability.com/articles/ienxzeck
Retrata a forma
como o eLearning passou de uma modalidade de ensino relativamente à qual havia
algumas desconfianças relativamente à sua eficácia para a situação atual, em
que se encontra amplamente divulgado e em permanente evolução, a par da da web.
Neste contexto, destaca a importância das comunidades de práticas, da
construção de conhecimento na interação com os outros, e da comunicação e
partilha.
Mota, José
(2009). Personal Learning Environments: Contributos para uma discussão do
conceito. Educação, Formação & Tecnologias, vol.2 (2); pp. 5-21,
Novembro de 2009.
http://eft.educom.pt/index.php/eft/article/view/105/66
Procura
contribuir para uma definição do conceito de Personal Learning Environment a
partir das abordagens de diferentes autores relativamente às suas
caraterísticas e finalidades, e a forma como se relaciona com os ambientes
virtuais de aprendizagem institucionais (VLE). Termina com exemplos de
operacionalização de um PLE.
Peña-López,
Ismael (2010). Mapping the PLE-sphere. ICTlogy, #82, July 2010.
http://ictlogy.net/review/?p=3437
Procura mapear os
conceitos e abordagens em termos de Ambientes Virtuais de Aprendizagem (VLE),
focando a dimensão das instituições (LMS - Learning Management Systems), a do
estudante (PLE Personal Learning Environment) e
as conexões que podem estabelecer-se entre ambas, dando origem a
Institutional Personal Learning Environment (iPLE) ou a Hybrid Institutional
Personal Learning Environment (HIPLE) - cuja definição e integração são apresentadas
no artigo.
Cenka et al (2022). Personal learning
environment toward lifelong learning: anontology-driven conceptual model,
Interative Learning Environments.
https://doi.org/10.1080/10494820.2022.2039947
Este estudo
propõe um modelo conceptual para os PLE que compreende quatro dimensões: a
pessoal, a tecnológica, a organizacional e a social, nas perspetivas quer do
ensino (professor) quer da aprendizagem (estudante), e que pressupõe a
utilização de ferramentas digitais para procurar, registar e discutir acerca da
informação e comunicação de ideias e conhecimentos.
Após a análise dos referidos recursos
e já com alguns conhecimentos sobre o assunto, iniciei uma pesquisa informada
de outros que me permitissem complementar o estudo desta temática. Desses,
selecionei os dois artigos que apresento de seguida na forma de bibliografia
anotada, um de 2009 e outro mais recente, de 2021, que permitem contextualizar
os PLE e a sua evolução, bem como perspetivar a sua importância no futuro da
aprendizagem, sobretudo em EaD.
Wilson, S., Liber, O.,
Johnson, M., Beauvoir, P., Sharples, P., & Milligan, C. (2009). Personal
Learning Environments: Challenging the dominant design of educational
systems. Journal of E-Learning and Knowledge Society, 3(2).
https://doi.org/10.20368/1971-8829/247
Este
artigo aborda o conceito de Personal Learning Environments (PLE) e a sua importância
no sentido em que estes se apresentam como alternativa ao formato ainda predominante
dos sistemas educativos tradicionais, que se encontram desajustados da realidade
atual do acesso e utilização da rede.
Os
autores definem os PLE como sendo o conjunto de ferramentas, serviços e
recursos passíveis de ser utilizados pelo estudante para documentar e apoiar a
sua aprendizagem formal e informal, podendo incluir plataformas de aprendizagem
online, mas também blogues, wikis e uma multiplicidade de ferramentas digitais.
Estes permitem uma abordagem mais flexível e orientada para o estudante e pelo
estudante, que passa a assumir o controlo da sua aprendizagem e a poder conciliar
as suas preferências com os seus objetivos, ao mesmo tempo que desenvolve a autonomia.
Ao contrário das abordagens que se baseiam numa conceção universal e
uniformizadora do ensino e da aprendizagem, os PLE permitem aos estudantes
personalizar as suas experiências de aprendizagem, integrando-as com os seus
interesses pessoais e enriquecendo-as através da interação com a sua rede de
contactos, o que pode proporcionar maior motivação e envolvimento.
Em
suma, este artigo estabelece a comparação entre os VLE (também conhecidos como
LMS – Learning Management Systems) e os PLE, realçando a mudança que os
segundos representam na forma de conceber os sistemas educativos, bem como o
poder e o potencial que têm de transformar o modo como encaramos o ensino e a
aprendizagem. Realça as diferenças conceptuais entre os dois sistemas e
contextualiza e explica por que razão os PLE são se coadunam com a aprendizagem
ao longo da vida numa perspetiva de fusão das aprendizagens formais e
informais.
Attwell, Graham.
(2021). Personal Learning Environments: looking back and looking forward. https://doi.org/10.13140/RG.2.2.18802.63684
Este
artigo contextualiza o passado e o presente dos Personal Learning Environments
(PLE), refletindo sobre a sua evolução e a forma como falhou a sua adoção de
forma generalizada, e perspetivando o seu futuro.
Começa
por contextualizar o modo como os PLE surgiram como resposta às limitações dos
Learning Management Systems (LMS) tradicionais, definindo-os como um conjunto
de recursos e ferramentas digitais que os estudantes podem utilizar para gerir
as suas aprendizagens formais e informais. O autor defende que os PLE podem
ajudar a promover nos estudantes o desenvolvimento de competências como a
autonomia, a capacidade de colaboração e, num sentido mais lato, a literacia digital,
mas aponta também os desafios associados, nomeadamente as questões relacionadas
com a segurança online e a proteção de dados e as dificuldades de integração
entre os PLE e os mecanismos e procedimentos de educação formal. Por fim, são
apontados possíveis rumos para os PLE, integrando soluções de inteligência
artificial e realidade virtual e aumentada.
De
um modo geral, o artigo apresenta uma visão contextualizada e abrangente dos
PLE e da sua evolução, alertando para os seus constrangimentos, mas também para
as suas potencialidades no futuro da educação.
O próximo passo no estudo dos
Ambientes Virtuais de Aprendizagem será refletir sobre a minha própria
experiência de aprendizagem ao longo da vida e, em particular, enquanto
estudante do mPeL, e apresentar uma representação visual do meu PLE.