segunda-feira, 27 de março de 2023

Ambientes Pessoais de Aprendizagem - Dimensão Estudante – Parte I

 

Na unidade curricular Processos Pedagógicos em eLearning começamos por refletir sobre o papel dos Personal Learning Environments (PLE) na aprendizagem em rede, segundo a perspetiva do estudante.

 Foram sugeridos alguns recursos, dos quais apresento de seguida uma brevíssima resenha.

 

Adell, Jordi (2010). Jordi’s Personal Learning Environment [Vídeo no Youtube]. Entrevista. Disponível em PLE by Jordi Adell

Nesta entrevista Jordi Adell descreve o que é um Personal Learning Environment, a partir dos seus pressupostos teóricos e descrevendo as suas componentes, salientando a perspetiva da sua utilização sob a ótica do estudante e da sua relevância para a aprendizagem. Os PLE não são nem aplicações nem software, são um conjunto de ferramentas, fontes de informação e pessoas, conectadas em rede, que constituem a referência para o estudante; e permitem que este estabeleça os seus próprios objetivos e ritmos de aprendizagem, construindo o seu conhecimento também com base na partilha com a sua rede de contactos.

 

Downes, Stephen (16-10-2005). e-Learning 2.0. eLearn Magazine

http://www.readability.com/articles/ienxzeck

Retrata a forma como o eLearning passou de uma modalidade de ensino relativamente à qual havia algumas desconfianças relativamente à sua eficácia para a situação atual, em que se encontra amplamente divulgado e em permanente evolução, a par da da web. Neste contexto, destaca a importância das comunidades de práticas, da construção de conhecimento na interação com os outros, e da comunicação e partilha.

 

Mota, José (2009). Personal Learning Environments: Contributos para uma discussão do conceito. Educação, Formação & Tecnologias, vol.2 (2); pp. 5-21, Novembro de 2009.

 http://eft.educom.pt/index.php/eft/article/view/105/66

Procura contribuir para uma definição do conceito de Personal Learning Environment a partir das abordagens de diferentes autores relativamente às suas caraterísticas e finalidades, e a forma como se relaciona com os ambientes virtuais de aprendizagem institucionais (VLE). Termina com exemplos de operacionalização de um PLE.

 

Peña-López, Ismael (2010). Mapping the PLE-sphere. ICTlogy, #82, July 2010.

http://ictlogy.net/review/?p=3437

Procura mapear os conceitos e abordagens em termos de Ambientes Virtuais de Aprendizagem (VLE), focando a dimensão das instituições (LMS - Learning Management Systems), a do estudante (PLE Personal Learning Environment) e  as conexões que podem estabelecer-se entre ambas, dando origem a Institutional Personal Learning Environment (iPLE) ou a Hybrid Institutional Personal Learning Environment (HIPLE) - cuja definição e integração são apresentadas no artigo.

 

Cenka et al (2022). Personal learning environment toward lifelong learning: anontology-driven conceptual model, Interative Learning Environments.

https://doi.org/10.1080/10494820.2022.2039947

Este estudo propõe um modelo conceptual para os PLE que compreende quatro dimensões: a pessoal, a tecnológica, a organizacional e a social, nas perspetivas quer do ensino (professor) quer da aprendizagem (estudante), e que pressupõe a utilização de ferramentas digitais para procurar, registar e discutir acerca da informação e comunicação de ideias e conhecimentos.

 

Após a análise dos referidos recursos e já com alguns conhecimentos sobre o assunto, iniciei uma pesquisa informada de outros que me permitissem complementar o estudo desta temática. Desses, selecionei os dois artigos que apresento de seguida na forma de bibliografia anotada, um de 2009 e outro mais recente, de 2021, que permitem contextualizar os PLE e a sua evolução, bem como perspetivar a sua importância no futuro da aprendizagem, sobretudo em EaD.

 

Wilson, S., Liber, O., Johnson, M., Beauvoir, P., Sharples, P., & Milligan, C. (2009). Personal Learning Environments: Challenging the dominant design of educational systems. Journal of E-Learning and Knowledge Society3(2). https://doi.org/10.20368/1971-8829/247

Este artigo aborda o conceito de Personal Learning Environments (PLE) e a sua importância no sentido em que estes se apresentam como alternativa ao formato ainda predominante dos sistemas educativos tradicionais, que se encontram desajustados da realidade atual do acesso e utilização da rede.

Os autores definem os PLE como sendo o conjunto de ferramentas, serviços e recursos passíveis de ser utilizados pelo estudante para documentar e apoiar a sua aprendizagem formal e informal, podendo incluir plataformas de aprendizagem online, mas também blogues, wikis e uma multiplicidade de ferramentas digitais. Estes permitem uma abordagem mais flexível e orientada para o estudante e pelo estudante, que passa a assumir o controlo da sua aprendizagem e a poder conciliar as suas preferências com os seus objetivos, ao mesmo tempo que desenvolve a autonomia. Ao contrário das abordagens que se baseiam numa conceção universal e uniformizadora do ensino e da aprendizagem, os PLE permitem aos estudantes personalizar as suas experiências de aprendizagem, integrando-as com os seus interesses pessoais e enriquecendo-as através da interação com a sua rede de contactos, o que pode proporcionar maior motivação e envolvimento.

Em suma, este artigo estabelece a comparação entre os VLE (também conhecidos como LMS – Learning Management Systems) e os PLE, realçando a mudança que os segundos representam na forma de conceber os sistemas educativos, bem como o poder e o potencial que têm de transformar o modo como encaramos o ensino e a aprendizagem. Realça as diferenças conceptuais entre os dois sistemas e contextualiza e explica por que razão os PLE são se coadunam com a aprendizagem ao longo da vida numa perspetiva de fusão das aprendizagens formais e informais.

 

Attwell, Graham. (2021). Personal Learning Environments: looking back and looking forward. https://doi.org/10.13140/RG.2.2.18802.63684

Este artigo contextualiza o passado e o presente dos Personal Learning Environments (PLE), refletindo sobre a sua evolução e a forma como falhou a sua adoção de forma generalizada, e perspetivando o seu futuro.

Começa por contextualizar o modo como os PLE surgiram como resposta às limitações dos Learning Management Systems (LMS) tradicionais, definindo-os como um conjunto de recursos e ferramentas digitais que os estudantes podem utilizar para gerir as suas aprendizagens formais e informais. O autor defende que os PLE podem ajudar a promover nos estudantes o desenvolvimento de competências como a autonomia, a capacidade de colaboração e, num sentido mais lato, a literacia digital, mas aponta também os desafios associados, nomeadamente as questões relacionadas com a segurança online e a proteção de dados e as dificuldades de integração entre os PLE e os mecanismos e procedimentos de educação formal. Por fim, são apontados possíveis rumos para os PLE, integrando soluções de inteligência artificial e realidade virtual e aumentada.

De um modo geral, o artigo apresenta uma visão contextualizada e abrangente dos PLE e da sua evolução, alertando para os seus constrangimentos, mas também para as suas potencialidades no futuro da educação.

 

O próximo passo no estudo dos Ambientes Virtuais de Aprendizagem será refletir sobre a minha própria experiência de aprendizagem ao longo da vida e, em particular, enquanto estudante do mPeL, e apresentar uma representação visual do meu PLE.

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