Análise do Vídeo The Machine is (Changing) Us: YouTube and the Politics of Authenticity
The Machine ABC is (Changing) Us: YouTube and the Politics of Authenticity
Disponível em:
https://youtu.be/09gR6VPVrpw
Neste vídeo, Wesch começa por contrapor a visão do
mundo de George Orwell, em 1984, segundo a qual uma entidade
controladora tomaria conta de tudo, e a de Aldous Huxley, em Brave New World,
que previa que iríamos divertir-nos até à morte. Apresenta depois o conceito de
Media Ecology, segundo a qual os media, no seu todo, os media são ambientes
completos, além de serem meios de comunicação e ferramentas segundo as quais
transformamos e somos transformados. Moldamos as nossas ferramentas
(tecnológicas) assim como elas nos moldam a nós, fazendo emergir novas formas
de expressão, de comunidade e de identidade. Permitem-nos estabelecer relações
interpessoais de formas que nunca tínhamos feito nem sequer imaginado, tornam
possível inventar novas formas de nos conectarmos uns com os outros.
Wesch parte da análise da influência da TV sobre a
sociedade, a cultura e o indivíduo e reflete sobre a forma como todo o mediascape,
a paisagem mediática e os recursos visuais impactam a nossa perceção do mundo.
Fala da geração MTV, que cresce sujeita à influência de quantidades massivas de
informação, o que as torna menos permeáveis e mais indiferentes a uma série de
estímulos, uma geração que se revela mais individualista e narcisista. Caracteriza
a cultura transformada pelos media como uma cultura de irrelevância,
incoerência e impotência, que produz sensações de isolamento e indiferença
perante os acontecimentos e os outros e, consequentemente, uma identidade
autocentrada que se reflete numa postura narcisista, o narcisismo cultural,
onde as pessoas vivem autocentradas mas buscam por conexão e reconhecimento dos
outros.
De seguida, apresenta algumas ilações
retiradas do trabalho que tem vindo a desenvolver com os seus alunos de
antropologia, focados no Youtube e na forma como os seus participantes encontra
nessa rede uma forma de autorreflexão e desenvolvem um sentido de pertença e de
identidade, terminando com uma visão otimista apontando uma expetativa de
passagem da indiferença e do anonimato para a real conexão, e levanta a
questão: de que forma podemos utilizar isto para combater o alheamento
narcisista que vivemos hoje, numa cultura que aparentemente continua a reger-se
por trivialidades?
Temos de aproveitar as potencialidades da rede e da
disponibilidade das ferramentas emergentes para criar ambientes (de
aprendizagem) inovadores; é imperativo que as instituições educativas e os seus
agentes tentem evoluir e acompanhar esta evolução tecnológica, usando-a de uma
forma positiva que possibilita o desenvolvimento e implementação de
metodologias e práticas de ensino que contribuam para a motivação e mobilização
dos alunos, garantindo aprendizagens efetivas.
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