domingo, 15 de janeiro de 2023

A REDE como interface educativo (V)

 

Análise do Vídeo A vision of Students today


 
A Vision of Students Today
Disponível em:
https://youtu.be/dGCJ46vyR9o&t=1s

Procurando ilustrar a visão dos estudantes [sobre a educação] atualmente, o vídeo faz uma apresentação dos resultados obtidos à questão “como é ser estudante hoje?”. Pretende retratar um momento reflexivo de tomada de consciência por parte de mais de 200 alunos que se auto entrevistaram sobre esta questão.

Apresentando várias frases relacionadas com diferentes contextos que vão desde as condições físicas das instituições educativas, a falta de ligação com os professores, o desinteresse pelos estudos, as desigualdades financeiras, entre outros, convergem para problemas que, não tendo sido criados por eles, são problemas deles agora.

Os estudantes alertam para a necessidade de refletir acerca da pertinência de aulas, matérias, trabalhos, horas de trabalho e da tecnologia em si, mas também assumem que, pese embora as dívidas que irão contrair para se formarem, pertencem a uma faixa de sortudos a quem é permitido estudar e aceder à educação.

O vídeo aborda a semelhança entre os padrões atuais de organização e de estrutura do espaço escolar atuais e já existentes desde há mais de um século e retrata também a visão dos alunos acerca do sistema e do ambiente escolar evidenciando a discrepância entre o modelo de ensino-aprendizagem (fortemente expositivo e centrado na comunicação unilateral) e a realidade da sociedade em que vivem, altamente influenciada pela tecnologia e pela interatividade, demonstrando o impacto da tecnologia nas suas vidas tanto pessoais como escolares e a importância da interação e do trabalho colaborativo.

Os comentários que os estudantes fazem sobre tecnologia não são todos bons. Afirmações como "passo as aulas no Facebook" ou "uso o PC nas aulas mas não é para trabalhar" mostram o quanto há ainda de trabalho a fazer no que toca a tornar os nativos digitais mais aptos a usar o digital a seu favor, para aprender e trabalhar de forma mais eficiente, e não apenas para fins de lazer, e ilustram o lado menos bom da digitalização da educação (a par com a imersão tecnológica) ao mesmo tempo que revelam os desafios e problemas que se criam, enquanto se resolvem outros.

Para nós, estudante de Pedagogia do eLearning, o que mais se destaca no vídeo é a forma como é realçada a diferença entre os ambientes tradicionais de ensino e o público-alvo, maioritariamente nativos digitais, nascidos na era digital.

A maior procura de formação tem feito com que as instituições de ensino tenham recorrido ao aumento substancial do número de alunos por turma, à contratação de professores temporários, à utilização de professores assistentes e à sobrecarga de trabalho sobre os professores. Naturalmente que os custos destas alterações recai sobre a qualidade do ensino, recorrendo-se cada vez mais a aulas expositivas, pouca interação entre alunos e destes com os professores, diminuta participação, fraca execução de trabalhos de grupo colaborativos e uma avaliação maioritariamente sumativa, incidindo sobre produtos e resultados e não sobre processos e desenvolvimento de competências.

Por outro lado, a diversidade socioeconómica e cultural dos alunos é bem sublinhada, inclusivamente o facto de muitos não serem estudantes a tempo integral, tendo de trabalhar para custear os seus estudos, sendo contraproducente continuar a alimentar a uniformização de metodologias de ensino e de avaliação que resistem desde os tempos da industrialização, da produção em séria e das iniciativas de educação de massas.

Os alunos atuais são nativos digitais, estão constantemente ligados à internet, nas redes sociais, e pensam e aprendem de maneira diferente dada a sua imersão na Rede, o que coloca às instituições de ensino o desafio garantir o sucesso dos seus alunos, respondendo à diversidade do corpo discente com medidas que garantam a individualização e personalização da aprendizagem, flexibilidade da oferta e duma aprendizagem focada no aluno. Só desta forma conseguirão contribuir para que a maior parte dos seus alunos prossiga nos seus estudos mais bem qualificado e preparado para os desafios de uma sociedade baseada no conhecimento (Bates, 2017).

Desta feita, há que saber utilizar a tecnologia disponível para facilitar a vida das instituições de ensino, através de diferentes abordagens, de forma a ajudar os professores e garantindo uma maior eficácia para com um corpo discente cada vez mais diversificado e exigente. Alguns dos problemas podem ser minimizados com recurso a aprendizagem aberta, no sentido de disponibilização de recursos abertos (sendo uma forma de minimizar as questões económicas por parte dos alunos) mas também facilitar e melhorar o trabalho dos professores. Há ainda que destacar a importância de outras modalidades de aprendizagem e formação que a tornam acessível a um grande número de estudantes, como os Massive Open Online Courses (MOOCs) (Bates, 2017).

A adaptação necessária das instituições de ensino passa pelo recurso à aprendizagem híbrida e online, criando ambientes virtuais de aprendizagem e, pelo ensino aberto, diminuindo desta forma a diferença entre a oferta tradicional dos estabelecimentos de ensino e as expectativas dos nativos digitais.

 

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